9 de março de 2012

...E O FILHO DA DONA MARIA NOS SURPREENDEU DE NOVO

Quem diria! Parecia apenas mais um casamento. Tá certo quem ninguém espera amenidades quando o assunto é festa de casamento. A primeira coisa que vêm à mente (pelo menos das mulheres) é: com que roupa eu vou? Casamento é sempre uma ocasião especial e única. Mas essa festa foi muito, muito especial! Foi um casamento que serviu pra mostrar que onde Jesus é convidado, a festa é surpreendente. Ímpar!




Parecia apenas mais um sermão de um bom pregador. Tá certo que quando a gente ouve bons pregadores ninguém espera pouca coisa. A lei da expectativa é comprovada facilmente nestas circunstâncias. Lembre-se, se você espera, com confiança, ouvir a voz de Deus em um sermão, vocês a terá, regularmente.



O pregador começou falando manso e sereno, e a cada parte do sermão víamos a manifestação da Glória, e sentíamos que habitávamos o ambiente da Graça de Deus. Você lerá algumas citações do referido sermão neste boletim. Por hora, quero ressaltar a conexão direta com o tema do culto de domingo p.p. pela manhã e com a ocasião que o envolveu.



Convidar Jesus para a festa em nossas vidas foi a primeira lição naquela exuberante manhã de sol. A aplicação foi imediata: a festa é servir ao Senhor aqui na IPAS, e por esta lição me senti extremamente grato a Deus. É claro que houve, um pouco antes do sermão, também uma porção da Graça de Deus trazida a nós, enquanto cantávamos todos, dentre outras canções ungidas, uma que dizia: "usa-me, Senhor. Usa-me!". Em meu coração, confesso, estava o tempo todo repetindo o convite para que Jesus esteja conosco em todo o tempo. E dessa forma todo tempo será tempo de festa e de celebração.



Reconhecer que onde Jesus está, instala-se o ambiente da Graça, foi a principal instrução que recebemos. O milagre é possível quando clamamos a Jesus por socorro, ainda que por razoes ocultas. A Graça de Cristo sempre prevalece! Quando obedecemos a Jesus, estamos contribuindo, como comunidade, para que o ambiente da Graça prevaleça e permaneça em nosso meio, ainda que não saibamos exatamente porque devemos obedecer e fazer tal coisa. Jesus opera cura, faz reviver a esperança, mantém a alegria e a celebração mediante os problemas e sempre, sempre surpreende aqueles que nEle esperam.



Pois é... e Ele, Jesus, o filho da Dona Maria, adotado por José, tornando-se assim um legitimo filho de Davi, o também chamado Leão de Judá... E não é que ele nos surpreendeu mais uma vez!

Com gratidão no coração, Pr. Marcelo

Publicado no boletim da Igreja Presbiteriana em Aldeia da Serra - 12 de fevereiro de 2012




O SANGUE DERRAMADO DO BISPO ROBINSON CAVALCANTI

O tema é de um artigo do Rev. Elben Lenz Cesar, na coluna “opinião” da Revista Ultimato que será publicada na edição de Março/abril. Me apeguei a ele para repartir com a minha igreja esta notícia trágica, dolorosa e de conseqüências tão marcantes para o futuro da igreja e da família cristã brasileira. Dom Robinson tinha a presença confirmada como preletor do encontro de capelães do qual participarei em Valinhos, nos dia 19 a 23 deste mês. Não virá mais. Todavia suas preleções, idéias e teologia, serão ainda usufruídas de muitos, por muitos e muitos anos, em seus arquivos de texto, áudio e vídeo... confira parte da matéria.




“...A última notícia de sangue derramado (até o momento) é igualmente chocante. Um rapaz de 29 anos, no último domingo, por volta das dez horas da noite, matou a facadas os próprios pais adotivos, ambos com 64 anos, na casa deles, na cidade de Olinda, PE. O morto é o bispo anglicano da Diocese do Recife e cientista político Robinson Cavalcanti, ex-professor da UFPE e da UFRPE, além de ex-coordenador do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor conferencista-visitante na Universidade do Alabama, em Birmingham. Um dos mais antigos defensores da missão integral da igreja, Robinson batalhava por uma sociedade solidária e uma economia pós-capitalista inspirada nos valores judaico-cristãos. Participou de numerosos movimentos em defesa da justiça social. Coordenou, entre as igrejas evangélicas, as campanhas presidenciais de Lula, de 1989 e 1994. Participou da campanha do “Parlamentarismo” e da campanha “Fora Collor”. Foi um dos redatores de importantes documentos, como “A Responsabilidade Social da Igreja” (Grand Rapids, EUA), “O Evangelho e a Cultura” (Willowbank, Bermudas) e “Estilo de Vida Simples como Opção Cristã” (Hoddesdon, Inglaterra), entre outros. No Núcleo Interdisciplinar de Estudo sobre a Sexualidade (NIES) da UFPE, defendeu, como convidado, a posição ortodoxa da Igreja no 5° Congresso Brasileiro de Homossexuais.



Autor de mais de mil artigos sobre teologia e política e de treze livros (três dos quais foram publicados pela Editora Ultimato), Robinson Cavalcanti era o mais antigo colaborador da revista Ultimato. O último artigo de sua lavra sairá na edição de março/abril. Nele o bispo anglicano queixa-se de que “os cristãos não querem sair da zona de conforto, se engajar, se libertar da imprensa manipuladora, lançar mão das ferramentas das ciências sociais, se chocar com os donos do poder...”.

Que o Senhor console a todos! Pr. Marcelo

Confira o artigo completo em

http://www.ultimato.com.br/conteudo/o-sangue-derramado-do-bispo-robinson-cavalcanti

publicado no boletim da Igreja Presbiteriana em Aldeia da Serra - 04 de março de 2012

AS CANÇÕES QUE VOCÊ FEZ PRA MIM

O zamyr e o nephesh (os salmos e a vida)




"Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim que perguntar carece, como não fui eu quem fiz?" "Uma anatomia de todas as partes da vida humana." Assim um poeta e um teólogo expressaram o que vejo no livro dos salmos. Todas as nossas emoções, estórias, medos e paixões encontram ressonância nesta caixa. Penso que não haja referencia de algum acontecimento, tragédia ou conquista humana que não tenha um paralelo em alguns dos salmos.



Salmos são canções, poesia. E como toda canção ele ao mesmo tempo enleva, alimenta e ensina. Enleva porque durante uma determinada canção nossa alma se deleita, se entrega, adormece e volta a acordar. Alimenta porque tem a propriedade de tocar em diversas partes de nosso ser e dar prazer. Há canções que "usamos" quando queremos protestar ou extravasar; há outras que desejamos quando a nossa alma precisa de descanso e proteção, e ainda outras que consumimos quando queremos mostrar algo: felicidade, gratidão, acolhimento, saudade, etc E ensina porque tem uma conexão direta com a nossa estrutura cognitiva. Memória, compreensão, crítica, raciocínio, e outros, tudo está em jogo enquanto cantamos ou ouvimos uma canção. Um amigo me disse: Marcelo, a musica é extremamente importante na igreja porque o povo aprende o que canta.



Temos trazido neste mês de março algumas percepções e motivações do salmo 23 de forma que as confrontemos com aspectos indispensáveis à vida. Questões absolutamente essenciais ao bem viver podem ser respondidas e refletidas neste salmo. Eis algumas delas: felicidade, direção, satisfação, segurança em meio às dúvidas e aos perigos, descanso, vitória nas lutas, superação, eternidade e outros.



Minha oração ao "Pai-stor" é para que você receba estes recursos da Graça como quem ouve uma canção que te faça bem à alma. Para alguns pode soar como uma canção de ninar, igual a que a vovó ou a mãe cantavam e agente dormia tranquilo e seguro. Para outros uma canção nova, que se identifica com os desejos e emoções mais profundos e escondidos da alma, tornando-a bela e inesquecível. Ou mesmo para aqueles aos quais será apenas mais uma canção, ainda o faça apenas parar para escutá-la. O que já é muito bom!



Com carinho e apreço, Pr. Marcelo (em 08/03/2012

24 de novembro de 2011

O dia de um capelão

OS MINEIROS DO CHILE: As tragédias deles e as nossas.
A PROPÓSITO DE UM ACIDENTE AÉREO FATAL
Foi emocionante! O mundo todo assistiu e sentiu o aperto no peito, um misto de dó e de alegria, quando o pai abraçou o filho. Foi um alívio e uma vitória saber que cada um dos 32 mineiros que estavam há 69 dias isolados dentro de uma mina foram resgatados com vida. Mais uma vez nos víamos ali, identificados em mais uma tragédia em tempo real. A dor daqueles homens lá em baixo e de suas famílias aqui em cima era algo que, de tão pesado e forte, evitávamos até de pensar ou falar. Mas agora podemos botar pra fora todos aqueles sentimentos de confusão e de esperança que se experimentou naqueles dias.
Foi muito triste! No sábado último pela manhã, um acidente com um avião planador à vela que espatifou no ar, levou à morte dois jovens cheios de vida, de esperança e com o sonho de serem pilotos militares para defender nossa pátria se necessário sob o preço da própria vida. A notícia me chegou em meio a um encontro de outros 150 jovens, dentre os quais muitos eram colegas de escola das vítimas, em um sítio, onde se reuniam em retiro espiritual para uma celebração da vida e da alegria em servir ao Senhor. Novamente estávamos envolto a um misto entre a alegria do encontro e a tristeza da partida.
A certa altura, deixei o encontro de jovens, e acompanhado por alguns deles, me desloquei até o local onde se encontravam os pais e demais familiares de um dos rapazes. Nossa missão agora era a de chorar com os que choravam. Ficamos ali toda a tarde do domingo. Ao retornar nutríamos no peito um misto de missão cumprida e o desejo de ter ficado um pouco mais, de ter falado um pouco mais ou, quem sabe, de ter chorado um pouco mais.
O que desejo compartilhar com o(a) leitor(a) sobre estes dois episódios dessa densa semana é a oportunidade que temos, o tempo todo de nos tornarmos partilhadores do Reino de Deus em todas as circunstâncias da vida. Não apenas pedimos ao Pai que venha o seu Reino. Temos nós mesmos, seus filhos a oportunidade de fazer vir o Reino do Pai, em cada situação que vivemos em nosso dia-a-dia.
Sendo assim o meu convite pra você hoje é o mesmo das Escrituras Sagradas, que ouso parafrasear aqui para torná-la mais próxima de nós:
Alegrem-se com os que se alegram por serem libertados e chorem com os que choram por estarem enlutados
  Com carinho,                                                                                                                Pr. Marcelo
em uma quinta-feira, 14 de outubro de 2010 23:02:51

23 de novembro de 2011

OS SALMOS E A VIDA: A Poesia de Deus para o nosso dia-a-dia

“Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim que perguntar carece: como não fui eu quem fiz?”

Esta expressão de um grande poeta de nosso tempo expressa uma verdade fundamental sobre os Salmos: por vezes, ao lermos temos a nítida impressão de que as palavras daquele Salmo expressam de tal forma o nosso momento de vida que parece que fomos nós quem os escrevemos.

É por isso que o teólogo reformado, João Calvino disse que os salmos são a “anatomia de todas as partes da vida humana”. Pois é, os Salmos são assim.

Aos lermos os Salmos, ao cantarmos, ao orarmos ou ao meditarmos neles nós conhecemos melhor quem nós somos, como é a vida e quem Deus é.

Nos compreendemos melhor nos Salmos. Nos vemos totalmente desnudados em nossa alma nestas canções e nestas orações. Nosso ser se revela por dentro e por fora. Cada parte de nossa vida sejam as emoções, seja o corpo ou ainda os nossos desejos, sonhos ou pecados, tudo... Tudo está ali, claramente, impunemente, descaradamente! O ser - humano que ali é apresentado tem cabeça, olhos, boca, barba, ouvido, braços, pernas, ossos, enfim. Nada é escondido. É uma pessoa que anda, que pára, que se assenta pra descansar, que passa por lugares difíceis, que se alimenta, que bebe, que tem fome profunda na alma. Os fortes, os corajosos, os felizes os bem-sucedidos, os ricos, todos estão ali. Mas ali também estão os ímpios, os pobres, os medrosos, os chorões, os perdidos, os fracos. Quem ajuda e quem é ajudado, quem ampara de dia e é amparado de noite, quem é humilde e quem é soberbo, todos... todos estão ali.

A vida se revela sem mistérios nos salmos. Vemos os degraus que havemos de subir (ou descer) em nossa jornada. Vemos que na vida há canto, há salto de alegria, há montes por onde o orvalho da graça de Deus desce e inunda o mundo. Vemos também que na vida há noites mal dormidas, há lágrimas. há choro, muito choro, de até fazerem doer os ossos. Há inimigos, há reis bons e maus, há justos e há ímpios. A vida como ela é, é mostrada nos Salmos sem maquiagem, e até mesmo sem roupagem religiosa, às vezes. Reconhecemos as batalhas e nos preparamos para enfrentá-las.

Nos Salmos chegamos mais perto de Deus. Aquele que não nos oculta o rosto, nem mesmo quando a gente pede pra ele nos “errar” (39). Conhecemos um Deus poderoso e pessoal, Aquele que é louvado, exaltado, mas não nos rejeita quando falamos atrocidades e tentamos ferir a sua honra. Esse é o Deus dos Salmos. Um Deus presente em cada parte da vida e do ser - humano.

Que ele nos dê Graça e a sua presença! Pr. Marcelo,

em 04/11/2010

HAJA ESTÔMAGO!

Pai, quero te agradecer por estarmos aqui, sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos, mas é o teu sangue que nos purifica. Pai, nós somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele, contra nossas vidas. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham, Senhor, armas para nos ajudar essa guerra. Acima de tudo, Senhor, todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas as nossas atividades, mas o Senhor nunca falha”.


“A “oração” que o deputado distrital e corregedor da Câmara Legislativa do Distrito Federal fez pelo corrupto Durval Barbosa é de uma canalhice sem tamanho na história do evangelho brasileiro.”


“Pra quem não conhece, o deputado Júnior Brunelli [quem fez a oração acima e que em outro vídeo foi flagrado recebendo dinheiro de propina] é pastor e filho do "apóstolo" Doriel de Oliveira, proprietário da Igreja Casa da Bênção.”



A tragédia foi mais que anunciada. Já não nos assusta nem mais isso. É depressivo ver o nosso estado quando olhamos coisas assim. Talvez seja o caos total. O fim. Prova disso é que não se pode imaginar algum extremo que realmente nos impressione, quando o assunto é roubalheira, corrupção ou outros crimes envolvendo pastores ou líderes evangélicos.



Pense comigo: você se assustaria se uma igreja fosse achada como depósito de mercadorias ilegais apreendidas pela polícia federal? Eu não. No máximo, lamentaria. Você se sentiria constrangido se alguém lhe dissesse que viu, em rede nacional, um grande líder evangélico ser preso, e algemado, compondo uma quadrilha de traficantes e assassinos? Eu não. Infelizmente, não.



Não há mais extremos do absurdo em que se pensar para se usar de comparação. A realidade é mais cruel. Mais triste do que qualquer suposição ou obra de ficção. A propósito, não temos que nos impressionar com a ficção (filmes, novelas ou outras obras). Já foi o tempo em que podíamos pensar que elas exerciam má influência sobre os ditos cristãos evangélicos. Hoje, a ficção é que é má influenciada por estes. Os autores apenas retratam a realidade, que é má, de forma mais popular e inteligível à grande massa.



Quero, entretanto, como pastor protestante há quase duas décadas levantar minha voz diante do rebanho que o Senhor conferiu aos meus cuidados pastorais e dizer: Não aceito isso! Repudio com toda força e indignação que há em mim qualquer forma de identificação com esta gente. Não sou e não somos evangélicos como estes outros. Não estamos buscando em Deus a bênção para fazer o mal. Não somos instrumentos para estender a corrupção e a desgraça moral pelo nosso bairro, nossa cidade ou nosso País. Não queremos em nossas vidas estas bênçãos cujos “instrumentos” são profanos e envergonham descaradamente nossa nação.



Não deixaremos de nos relacionar com gente corrupta e pecadora. Não se trata de isolarmo-nos do mundo. Pelo contrário, queremos pessoas com todos os defeitos e debilidades que tenham. Sejam físicas, morais ou até mesmo de caráter. Nós mesmos temos nossos defeitos a serem tratados. A diferença que que não abrimos mão de ser Luz e Sal. Queremos ser pessoas na instrumentação de Deus para transformar o mundo e melhorar as pessoas.

Fico com a oração de Jesus em favor dos seus discípulos:

“Pai... Não peço que os tires do mundo, mas que os preservem do Mal”



Rev. Marcelo,

em 03 de dezembro de 2009

24 de outubro de 2011

VAI PASSAR...

A música do Chico lembra a expectativa dos que aguardam o samba passar na avenida. A certa altura os que aguardam o principal estandarte diziam num ímpeto de euforia de quem aguarda o êxtase de alegria: “ai, que vida boa ô lê rê, ai que vida boa ô la rá...”.

Noutra canção (a banda) o mesmo literário disse que aqueles que tinham uma vida triste e sofrida deixavam tudo pra traz e esqueciam sua dor só ver a banda passar.

Note que a vida boa e a ausência da dor estão, não só nas letras do poeta, mas na própria vida, relacionados a algo que passa. Ou neste caso, que irá passar. É bom esperar por algo bom. A raposa do Pequeno Príncipe dizia pro menino: se você vem às quatro horas começo ser feliz às duas. Criança esperando por um evento de prazer já é o próprio deslumbre de prazer.

Os profetas bíblicos, tais quais os poetas, também falam de dias que passarão por nossas vidas onde quem é triste ficará alegre e quem sofre vai despedir-se da dor. (veja Jr. 31.31-33, ou Ml 4.1-6). Um desses se expressa assim quando relata o extase e alegria pela chegada do Cristo: saireis e saltareis como bezerros soltos de uma estrebaria...

Todavia, penso que não basta conhecer o que diz os poetas ou os profetas. Acho que a gente tem que ser como as crianças. Acreditar no presente do Pai que virá. E porque virá amanhã já sou feliz hoje.

Se é verdade que a maioria de nós não gosta de samba e nunca foi pra uma janela ver a banda passar, é também verdade que buscamos incessantemente a alegria e o bem na vida. Esta é uma das marcas da nossa caminhada cristã. Mas há um diferencial enorme entre as poesias e as profecias citadas.

A alegria do samba e da banda se são curadoras por um lado, também são efêmeras por outro. Tão passageiras quanto o carro alegórico que passa. Depois que a banda do Chico passou, diz ele: “Mas para meu desencanto / O que era doce acabou / Tudo tomou seu lugar / Depois que a banda passou./ E cada qual no seu canto / Em cada canto uma dor...”
De outro lado, as promessas dos profetas falam de uma alegria duradoura porque não se trata de uma alegria momentânea ou um mero sentir-se bem, ou aliviado. A alegria e a cura de que falam os profetas são uma Pessoa. A pessoa de Cristo. O Sol da Justiça. O que converte os corações dos pais aos corações dos filhos. O Cristo que virá, segundo o profeta, virá trazendo salvação em suas asas. A alegria do Cristo se estabelecerá para sempre. Esta é a Nova Aliança.

Duas perguntas:
O carnaval está chegando, como você se sentirá depois que ele acabar?
O Cristo prometido já veio, e a sua alegria já chegou?

Com carinho, Marcelo Coelho

22 de janeiro de 2010

A LITURGIA DA VIDA


O sentido mais comum que damos ao termo “liturgia” é aquilo que se entende ou relaciona-se à ordem do culto. Quero, entretanto, usá-lo de outra forma. A palavra liturgia não se originou na igreja. “No mundo grego, ela se referia ao serviço público, aquilo que um cidadão fazia pela comunidade. Quando a igreja usava o termo em relação à adoração, ela mantinha esta conotação de ‘serviço público’- Trabalhando em favor da comunidade ou seguindo ordens de Deus” (Peterson: 2004).

A liturgia da vida é aquela que ultrapassa as paredes do templo. Ela é a contínua atitude de serviço a Deus e ao próximo. É quando não há diferença entre o que pensamos ou falamos de Deus dentro da igreja ou fora dela. Quando vivenciamos nossa vida cristã nos lugares menos prováveis ou esperados estamos executando esta liturgia.

Caixa de texto: A liturgia da vida é aquela que ultrapassa as paredes do templo. Ela é a contínua atitude de serviço a Deus e ao próximo.

Somos convidados a sermos cristãos litúrgicos. Nosso serviço de culto a Deus não termina no domingo à noite. O que deveríamos fazer é imprimir cada parte de nossa relação com Deus nas páginas de nosso dia-a-dia.

Mas como isso se dá na prática? Quando levamos Deus e sua Palavra ao mundo nós fazemos com que o mundo e toda a criação de Deus retornem a Ele e sua Palavra. Fazemos isso quando socorremos alguém que está caindo ou não pode andar; quando oferecemos uma mão amiga para ajudar em alguma situação; quando nos importamos ao ponto agir em favor de um conhecido (ou mais que isso); quando nos calamos ao invés de dar lugar a ira humana; enfim, quando praticamos o que nos cultos cantamos ou prometemos.

Levar Deus ao mundo e o mundo a Deus é, não só a tarefa, mas a conseqüência de quem aceita que sua vida também seja uma liturgia. Ele ou ela irão tornar o seu serviço a Deus, um serviço público e ao público.

Com carinho, Pr Marcelo

8 de abril de 2009

A RESSURREIÇÃO NA VIDA DE TODOS NÓS

A mensagem da Ressurreição de Cristo dentre os mortos não é apenas uma doutrina em que se creia, é uma verdade que se experimenta na vida.

No credo apostólico dizemos “Creio na ressurreição do corpo”. Mas por que dizemos isso? Dizemos porque desejamos. Crenças são traduções dos nossos desejos. Entretanto, a doutrina da ressurreição é desejo sim, mas que se realiza no dia-a-dia dos cristãos. É um sonho que se tornou realidade. “E vimos sua glória como a do unigênito do Pai”. Então como é que se vive o sonho realizado da ressurreição?

Vivemos a ressurreição de Cristo em nós quando experimentamos a esperança. E sem esperança não se vive. “Agora pois permanecem a fé, a esperança e o amor”. Um autor que escreveu sobre a morte de criancinhas indefesas e doentes disse que “a esperança é o que surge quando a fé acaba”. Quando não há mais fé e quando o amor está longe do abraço, somente a esperança nos sustenta. Não é a toa que se fala tanto de esperança quando se tem que enfrentar os espinhos e as agruras da morte. Isso porque muita coisa termina com a morte; a esperança não. Ela permanece e nos leva para o lugar seguro em que olhamos a vida passar e descobrimos que vale a pena continuar vivendo. O poeta disse que “a saudade é o revés do parto, saudade é arrumar o quarto de um filho que já morreu”. A esperança nos segura nesta hora e nos faz firmes e teimosos em aguardar a vitória final.

Hoje celebramos a ressurreição daquele que se fez penhor (garantia) da nossa ressurreição. Celebramos a saudade e a esperança. Sim, estamos vivos! E estamos porque já experimentamos várias vezes o milagre de Cristo em nós. A morte de Cristo é também símbolo de alguém que experimentou o maior sofrimento humano, para que todos os humanos pudessem, juntos com Cristo, pela fé, passar por seus sofrimentos. A ressurreição de Cristo é também símbolo da vitória sobre as crises, perdas e decepções da vida. Por isso, embora ela parta da dura realidade da morte [sem morte não há ressurreição e, portanto, não há vitória] ela é o maior motivo da celebração e da alegria daqueles que professam a Cristo em suas vidas.

Aleluia! Cristo ressuscitou!

Aleluia! Vencemos com Cristo!

Vamos celebrar!

Boa páscoa a todos, Pr. Marcelo, em 08/04/2002

11 de outubro de 2008

SANTUÁRIO... da alma e do futebol



Parecia uma manhã como as demais. Tirando o fato de que um desânimo enorme se apoderou de mim. Eu tinha o costume de, por duas ou três manhãs da semana, ir até o estádio do Pacaembu e lá fazer meus exercícios físicos e finalizá-los com uma corridinha na pista ao redor do campo de futebol. [Certa vez não resisti e pisei o gramado. Foi fantástico!] Mas naquele dia não fui lá pra isso. Não tinha forças pra me exercitar, nem tampouco correr. Acho que o que eu queria mesmo era correr pra longe dos problemas e da aflição da minha alma.

De repente me ocorreu ir para um lugar onde eu pudesse ficar só comigo mesmo para assim, quem sabe, encontrar o Senhor na minha oração. A Bíblia fala que estes momentos deveriam ser vivenciados no ´teu quarto´. E eu estava mesmo era à procura de um lugar desses.

Estacionei o carro e comecei a caminhar pela pista e a falar com Deus. Meus olhos contemplavam de um lado e do outro, milhares de assentos vazios na arquibancada. E minha memória oscilava entre lembrar que Deus cuida de mim mesmo sendo eu mais um entre milhares e que aquele lugar tão silencioso é também o lugar de pessoas em êxtase tomadas de todas as emoções possíveis. Era como se eu ouvisse duas vozes: uma a que dizia: você continua sendo meu filho amado e a outra, bem longe, insistia em toar: “timão eh ô...”

Percebi que eu estava no lugar certo para o encontro desejado. Quase no final da volta na pista, olhei para um lado e para outro e, não vendo ninguém que me reprovasse, e percebendo que não causaria mal nenhum ao patrimônio público, resolvi subir a arquibancada do lado esquerdo do tobogã. Lá estava eu: “às margens do campo de futebol subi as arquibancadas e lá me assentei e chorei”. Na hora não vi nenhuma semelhança com os rios da babilônia, em cujas margens os israelitas se assentavam e choravam lembrando a terra santa. Todavia, hoje vejo que experimentei todos aqueles sentimentos relatados no salmo: saudade, tristeza, injustiça, e outros.

Não demorou muito a vir um funcionário e gritar lá de baixo algo que eu fiz questão de não ouvir, pois estava ocupado demais para olhar pra ele. Percebi então que ele começou a subir a arquibancada, bem como o que ele viria fazer ali. Mas aproveitei intensamente aqueles minutos que ele demorou pra vir onde eu estava.

Eu me sentia em terra estranha e proibida. Mas ao mesmo tempo aquele lugar me era maravilhosamente familiar. Meus questionamentos acerca da vida, pareciam estarem sendo postos no lugar certo. Sentia-me profundamente acolhido em minha oração. Foi um momento mágico.

Isto aconteceu há mais ou menos 6 anos atrás. Mas na semana passada, depois de visitar o museu do futebol, sonhei com aquele momento e com o salmo 137, e foi muito bom lembrar aquilo tudo. Por isso resolvi compartilhar com você estes sentimentos e emoções.

Qual é o seu lugar de encontro com Deus e com você mesmo?
O que é sagrado pra você?
Como você se sente depois que você sai “quarto”? Mt. 6.6

Com carinho, Pr. Marcelo

30 de setembro de 2008

DIAS DIFÍCEIS


Alguns dias parecem que não acabam. A sensação é a de que todas as forças se foram e mais nada poderia acontecer. E aí acontece ainda algo pior. Em dias como estes viver é apenas o mesmo que respirar e a única garantia que se tem de estar vivo é que de alguma forma se vê o corpo em pé, com movimentos e percebe-se que os olhos, por vezes, estão abertos.

Não é à toa que em momentos assim se prefere morrer a viver. Personagens que conhecemos na Bíblia, servos de Deus fiéis e usados por Deus com triunfos memoráveis passaram por isto. Elias pediu pra si a morte, Jeremias amaldiçoou o dia de seu nascimento Davi se viu como uma espécie de morto-vivo quando diz: “laços de morte me cercaram...”

Dias difíceis são aqueles em que a dor se alonga e se perpetua. Corpo que dói não lembra de quando era são. Não dá pra um dente que não dói servir de exemplo ou de consolo para o que está doendo. É o contrário o que acontece. A cabeça inteira dói. O corpo adoece por inteiro e sempre em uma espécie de progressão do mal. De novo os salmos: “um abismo chama outro abismo” “estou cansado de tanto gemer” “meus ossos doem”.

Dias difíceis ocorre a todo ser humano. Inclusive aos que têm um relacionamento de fidelidade ao Senhor. Eles são a mostra do que a Bíblia chama de período de tribulação. Por tribulação podem-se entender diversos significados. Sofrimentos, angústias ou decepções internas; Atrocidades, injustiças ou mazelas externas que nos atingem; condenação ou punição por um ato de injustiça cometido; ou ainda algo que aconteça sem nenhum propósito aparente ou revelado.

Encontramos do Gênesis ao Apocalipse expressão que denotam estes períodos de dias difíceis: “Quarenta dias e quarenta noites” na Arca de Noé, e a expressão “tribulação de dez dias”, no Apocalipse. Tudo isso passando por 400 anos no deserto, 70 anos no exílio, 3 dias vividos no ventre do peixe, ou na sepultura, 12, 18 ou 38 anos de sofrimento de pessoas que encontraram a Jesus, nos evangelhos, ou ainda expressões sem o período de tempo definido tais quais encontramos no profeta Jeremias “por um breve período de tempo”, “por certo tempo”, ou no Apóstolo Pedro “por breve tempo, se necessário”.

Dias difíceis passam e dias melhores vêm. Isto é o que acontece sempre. Mesmo que o corpo tenha se esquecido do que é não sentir dor, chega o memento em que ela passa. Toda dor tem um propósito. E ela não passa até que cumpra o seu telos. Em cada uma das ocasiões citadas houve um final. Final da dor. A grande diferença de todos aqueles casos e a nossa história é que nós ainda não chegamos no final. Os dias difíceis ainda estão aí. Aqueles casos se traduziram em Revelação de Deus a nós: de um Deus que não nos omite dias difíceis; de um Deus que está conosco enquanto passamos por eles; de um Deus que nos faz ter esperança de que dias melhores virão.

“Em minha tribulação invoquei o Senhor. E o Senhor me ouviu e me deu folga” Sl 118.5

com carinho, Pr. Marcelo

28 de agosto de 2008

O QUE FAZ DEUS FELIZ?


Você. Isso mesmo, você. A sua vida faz Deus feliz. Vamos ver, todavia, em que circunstâncias isso acontece. Precisamos então examinar, pelo menos, dois textos bíblicos.


O primeiro é o da videira e dos ramos. Diz lá que Deus é glorificado quando a gente dá muito fruto. Bom, pra gente poder dar fruto a gente tem que ser árvore viva e o mesmo texto diz que nós somos árvores vivas porque somos os galhos da videira verdadeira que é Cristo. Aliás, a gente só é galho vivo, que pode dar fruto, se estivermos em Cristo. Ele mesmo fala neste texto que sem ele nós não conseguiríamos realizar nada. “sem mim, nada podeis fazer” a gente também sabe pela Bíblia Sagrada que Deus gosta tanto de ser glorificado que uma vez disse: “a minha Glória não dou a ninguém”.


Então podemos afirmar que Deus fica feliz quando é glorificado. E que, portanto, se você é alguém cuja vida dá muito fruto, isso faz Deus feliz. Então o que eu disse antes está certo. Você faz Deus feliz!


A questão agora é. Quando é que eu faço Deus feliz? E a resposta é: quando eu dou muito fruto. Daí eu lhe convido a olhar outro texto bíblico em sua memória. Aquele que fala do que é o fruto do Espírito.


Eu tenho pra mim, que dar muito fruto nem é trazer gente pra Igreja, nem distribuir milhões de folhetos ou nem tampouco trabalhar a vida inteira na Igreja até que a nossa alma desmaie e o nosso coração seque por causa das frustrações que o serviço cristão nos dá. Não. Não acho que seja o trabalho cristão que faz Deus feliz.


O que faz Deus feliz é gente que ama. Quando você ama você faz Deus feliz, porque o fruto do Espírito é Amor.


O que faz Deus feliz é gente feliz. Quando você está alegre e vive uma vida de alegria, isso faz Deus sorri pra você. Porque o fruto do Espírito é alegria.


O que faz Deus feliz é gente que é agente da paz. Gente que quando fala, apazigua os corações ao seu lado. Porque o fruto do Espírito é paz. Deus não fica feliz quando as suas palavras geram conflito e perturbação nas pessoas.


O faz Deus feliz é gente paciente. Gente que sabe esperar pelo bem na vida, sem esmorecer e sem desistir pela falta de paciência. Ser paciente é não tentar resolver tudo sempre do seu jeito. É esperar em Deus, porque o fruto do Espírito é paciência.


O que faz Deus feliz são pessoas amáveis. Gente de quem a pessoas gostam, fazem Deus feliz enquanto vivem. Deus fica muito feliz quando outras pessoas ficam felizes com você. Porque o fruto do Espírito é amabilidade


O que faz Deus feliz são pessoas bondosas. Fazer o bem, faz Deus feliz. Ele é glorificado quando nossa luz (nossas boas obras) aparece. Ser bom em todos os seus passos é bom e faz Deus feliz, porque o fruto do Espírito é bondade.


O que faz Deus feliz é gente que se cuida. E gente que se cuida é fiel e sabe onde pode pisar o seu pé. Gente que se cuida é mansa. Não se perde nem se desespera com o que não pode resolver. Entrega nas mãos de Deus. E Deus fica feliz quando entregamos as coisas que nos tiram a mansidão à Ele. Gente que se cuida sabe dos seus limites. E consegue andar sempre aquém deles, pra não cair e não se machucar.. Quem se cuida faz Deus feliz, porque o fruto do Espírito é fidelidade, mansidão e domínio próprio.


Eu afirmei que você faz Deus feliz. Você concorda?

Com carinho, Pr. Marcelo
Em 28/08/2008

22 de agosto de 2008

AS AMORAS E O INVERNO


O inverno é uma metáfora vida. O frio já não é mais uma marca tão importante dos últimos invernos. Estive na cidade tida como a mais fria do Brasil e por lá ouvi: - Frio, frio mesmo de -4ºC a gente não vê faz uns dez anos e dizem as previsões que, devido ao aquecimento global nunca mais haverão dias como aqueles. Que pena!


Refiro-me, especificamente, à esterilidade que gosta do inverno por companhia. As gramas estão marrons. As parreiras e macieiras são como galhos de um arbusto que morreu. Feios, empalidecidos, como gravetos prontos pra ir à fogueira. A maioria das árvores está hibernando como fazem os ursos. E, por isso, nos omitem suas sombras, suas danças e suas belezas. Os vales e os montes estão todos tristes e macambúzios... É inverno!


Lá em casa tem dois pés de amora de ficam de frente à janela da sala. São novinhos ainda. Mas nem por isso são tímidos em nos alegrar com suas crias. Cada uma mais linda e mais deliciosa que a outra. São das grandes. Rechonchudas. Minha relação com estes pés de amora já dura 4 anos. Eram duas plantinhas quando lá cheguei. Hoje eu cuido deles, amarro os galhos depois da temporada porque quem passa por ali não resiste, mete a mão. E onde a mão não alcança, a outra puxa o galho até que a amora fique ao alcance do seu sorriso de conquista. Tudo isso sem se importar com os galhos que vão caindo, caindo até quebrar. A certa altura eles parecem aqueles velhinhos cansados e corcundas que deram a vida por seu trabalho e por servir os outros. Estão cumprindo sua missão. Pés de amora existem para que pessoas parem na frente deles e tenham a experiência única e fugaz do prazer. Como todo prazer tem um preço, alguns galhos se vão, eternamente.


As amoreiras fazem o caminho inverso das parreiras e das macieiras. No verão, enquanto as uvas e as maçãs reinam, as amoreiras estão como mortas, esquecidas de todos. Dava uma tristeza enorme olhar pra elas todos os dias e lembrar com saudade do tempo de outrora. Me fez reviver, à minha maneira o poema de Casimiro de Abreu. Era como se eu sentisse também saudades da aurora da vida.


Mas agora elas estão lá. No começo ainda, mas percebe-se claramente que tanto as amoras quanto os seus galhos cumprirão mais uma vez a exuberante missão de fazer as pessoas felizes. Sim, elas voltaram!


Invernos não duram pra sempre. Na vida há hibernações de alegria e de produção. Sofrimento. Mas eles também não duram pra sempre. Uma boa lição que aprendo com as minhas duas amoreiras é que a tristeza também é efêmera. Tristeza é saudade do sorriso. E a gente só sente saudade do que existe. Do que amamos. Passamos pelo sofrimento com a esperança de que sorriso existe e voltará. Assim como as amoras, que a cada dia entre os meses de agosto e outubro, voltam a sorrir e a fazer sorrir. Lembre-se: a amoras voltaram; o sorriso voltará!

“O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” (salmo de Davi)

“E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede.”
Com carinho, Pr. Marcelo
Em 21/08/2008.

SOBRE A ESPERANÇA E O ESPERAR

Espera-se por muita coisa nesta vida. Dizia-se da mulher grávida que ela estava “esperando”. Onde quer que vamos, há sempre uma fila. Lugar de espera. Se vamos ao cinema, enfrentamos a fila do transito; a fila do estacionamento; a fila para comprar o ingresso; a fila para a pipoca; fila para entrar; fila para sair, e assim vai.

Acontece até de a gente passar em algum lugar e perguntar curioso: que fila é essa? Pensamos: se tem fila, deve ser coisa boa. Algo que justifique a espera. A pergunta vem de um lugar do desejo. Quem sabe não haja algo aqui que me faça mais feliz? Na verdade a gente pega fila por coisas essenciais: emprego, dinheiro, saúde, educação, até para pagar contas.

Hospital é um lugar onde ninguém quer ir mas que todo mundo vai. E lá, a gente pode estar certo: vai Ter fila. Teremos que esperar para pegar a senha. Senha: lugar em outra fila. Então esperamos o médico chamar. O que ele diz? – Vamos precisar de um exame. E lá vamos nós para mais uma fila. Uma para fazer o exame e outra para saber o resultado. Então, horas depois voltamos ao mesmo médico. Chegando lá o que encontramos: outra fila. É assim mesmo. Hospital é lugar de esperar.

Mas hospital também é lugar de esperança. Após um trágico acidente, queremos primeiro saber se a vítima já foi para o hospital. – Pelo menos ele está sendo tratado, pensamos. Há esperança. Quando o pai aguarda ansioso a chegada do primeiro filho, aquele corredor por onde ele anda sem parar, pode ser chamado de lugar de esperança. Hospital é lugar onde se vai buscar cuidados especiais, curas, respostas não sabidas nos demais lugares. Dizemos para quem vai para o hospital: - você vai ficar bom! Que esperança! É onde moram os mistérios do corpo, onde atendem os gurus modernos. Aqueles que dão nomes (ainda que agente não entenda) às coisas que sentimos. Curioso, às vezes, só de saber que o que a gente sente tem um nome em algum livro, agente já se sente melhor. Por que será?

A esperança e a espera são irmãs. Elas moravam na mesma casa. Um dia, se separaram e algo aconteceu.

A espera decidiu morar nas ruas, na filas, nas repartições públicas, nos bancos, enfim nos lugares mais comuns e quase sempre muito chatos. A gente espera até a última hora para não precisar ir a estes lugares. Por que? Porque esperar é muito chato. É até despeitoso às vezes. A esperança, mais nobre , decidiu morar nos templos religiosos, na fábulas infantis, nas poesias, nos campos de girassóis, nas azaléias (nestas ela só fica nos meses do inverno), no sorriso da criança. Esperança não mora em lugar onde não há amor. “Ali pois permanecem a fé, a esperança e o amor, destes três porém, o maior deles é o amor”.

De vez em quando, as irmãs separadas resolvem se encontrar. Quase sempre elas se encontram num hospital. Hospital é lugar que tem fila mas que também tem sorrisos, azaléias, livros infantis, capelas, cultos e orações.

Havia um tanque em uma cidade chamada Betesda. Era um hospital. Betesda significa “casa de misericórdia”. Só que este hospital não era como os de hoje que ficam abertos 24 horas. Ele só abria uma vez por ano. Imagina o tamanho da fila? Para este lugar, afluía uma enorme multidão de enfermos, cegos, coxos e paralíticos. Todos iam lá com muita esperança. Pois eles acreditavam segundo uma história (histórias também são lugares de esperança) que a certo tempo descia ali no tanque um anjo, que agitava a água e a primeira pessoa que entrava no tanque, uma vez agitada a água, sarava de qualquer doença que tivesse. Eu tenho dúvidas se havia mesmo um anjo ou se o que curava as pessoas era a fé naquela história.

Por mais que o hospital seja um lugar cheio de gente ferida, machucada no corpo e na alma, gente gemendo de dor, crianças com medo, pessoas estranhas e esperas, às vezes, intermináveis. Ele pode ser também lugar de esperança. Lugar onde você aproveita para refazer a vida, reeditar seus valores, estabelecer novas prioridades, reconhecer-se limitado e frágil (Felizes os humildes de espírito...), deixar ser cuidado e tratado pelas mãos humanas e pelas divinas.

Uma lembrança: nem sempre as irmãs se encontram.

Algumas dicas: Observe o sorriso das crianças. Leia um bom livro (talvez uma fábula). E aproveite as azaléias (elas estarão te esperando nos meses do inverno).

Um pensamento: Não há lugar mais paradoxal do que um hospital. Aqui trabalham os profissionais da saúde, mas o que eles fazem é lidar, quase sempre, com a doença. Às vezes agente ouve: - tem uma BPC no 9-A, ou – leve para o linfoma do quarto 3.

Uma letra de Chico: Pedro pedreiro, penseiro esperando o trem... Esperando, esperando, esperando, esperando o sol... ...é a esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem...

5 de abril de 2008

Azaléia é fogo! Amor é fogo!



Camões enaltece o amor de uma forma assustadoramente bela. “O amor é fogo que arde sem se ver”. O curioso é que para se dizer que algo é bom, belo e digno de admiração é necessário que se mostre sua face nefasta e cruel. Adélia prado diz. “O amor é a coisa mais bela; o amor é a coisa mais triste; o amor é a coisa que eu mais quero”. Só desejamos algo de fato, quando se nos é revelado seu todo. Os dois lados. Em tudo há dois lados: o belo e feio, o triste e o alegre. Por isso é que Camões diz que o amor é uma ferida que dói mas não dói; que o amor é uma estranha mistura entre o ganho e a perda, entre o querer e não-querer entre a prisão e a liberdade.

É isto que o faz definir tão bem e tão concretamente algo que é misterioso e abstrato, porque esta é a verdade. Não a verdade de um poeta sobre o amor mas a verdade que existe em cada um de nós. Sabemos que é assim. Quando temos uma compreensão mística de algo que mora nas nossas profundezas e então ouvimos aqui fora o que já havia sido dito lá dentro, somos seduzidos pela palavra. E não há melhor forma de persuasão. Porque não fomos persuadidos por um outro mas por nós mesmos. Eu e você temos um quê de Camões, de Shakespeare na nossa compreensão acerca do amor. Sabemos que é assim mesmo e persistimos em não aceitar amor atrelado à morte, virtude irmã da fraqueza.

Quando chega o inverno, e eu vejo o amor que exala das flores das azaléias espalhadas por todos os cantos, lembro de Camões. Lembro que são possíveis coisas belas no inverno, lembro que o esquecido tornou-se revelado, lembro que o desprezo, que o trivial, que o comum têm também seu momento de esplendor e enaltação. Azaléias são aqueles pequenos arbustos com uma folhinha verde-escura e bem grossa. Parece até planta brava. Mas quando chega o seu tempo de florescer, o verde empresta o lugar ao brilho das flores, o que era rústico vira singelesa, poesia.

O brilho é tão forte que quase chega a ser agressivo. Dá até medo. Assim como temos medo de amar. Medo por ter sentimentos tão fortes como aquele que nos surgem de repente. O mesmo medo de que falou Vinícius no soneto do amor total. Seu medo era tal e seu sentimento tão estranho a si mesmo, que dizia: “hei de morrer de amar mais que pude”.

Azaléia é fogo porque ela é uma metáfora do amor. Só ama que consegue passar o ano com o rústico para então deleitar-se com a beleza. Só é tomado de temor frente ao brilho esfuziante das flores, quem por longo tempo acariciou a pequena e despretensiosa folhinha verde e peluda. A carícia era sinal de aceitação. Quando agente ama agente diz: ainda que não seja hoje o dia da flor eu continuarei a teu lado a acariciar-te, continuarei a amar-te. É quando o amor penetra até às raízes da planta. Ama-se cada parte dela. Tanto a vista quanto a não vista tanto as flores como as folhas, como o caule e também as raízes, ainda que não saibamos como elas são (e é melhor que não saibamos, pode morrer!). Amar é ter raízes... É de lá que brotam as flores.

O grande problema dos relacionamentos é quando eles são baseados apenas na flor. Enquanto te vejo bela te amo. E quando a flor cai? Então o arbusto é abandonado mesmo que ele não entenda o porque. pois [pensa:] continua sendo o que sempre foi; voltará a ter/ser flores.

Na verdade não se a amava o todo; amava-se apenas a beleza efêmera da flor. O pólen que atrai as abelhas no cio foi o que promoveu o mesmo cio humano e insaciável.

O que faz então este amante/inseto? Vai a procura de outras flores, mais ou menos belas que esta. Não importa. Importa que sejam flores, que tenham um bom cheiro, uma boa cor, umas pétalas macias, um libidinoso pólen...

Procura um amor que não existe. Um amor que só tem um lado. Que ao contrário do que pensa (alegria realização, gozo) apenas dói, queima, fere e machuca. Machuca a si mesmo, tal como ficaram feridas as rosas deixadas pelo caminho.

Castro Alves diz que o verdadeiro amor não exclui o pejo. Não há amor sem preço, sem entrega, sem compreensão da verdade, do todo do amor.

É possível fazer amor como o das azaléias. Casamento é isso: um encontro com a rosa e um abraço muitas vezes espinhoso e sangrento. Mas é sangue de amor que dói mas não dói, que rasga a pele mas penetra o fundo do peito. É acariciar o arbusto que mais ninguém vê. É fazer o outro saber que você admira a beleza que ele é e não apenas as flores que tem.
Amo as azaléias, principalmente quando elas não são notadas; quando estão adormecidas. E aí, deito ao lado delas e tenho um gostoso sonho e vejo que o verdadeiro amor é possível.

20 de março de 2008

Páscoa - uma imposição do bem

Sugiro que aproveites do clima que a data religiosa promove e faças uma viagem pra dentro de si mesmo , de sua alma e procures uma vivência com o ´Totalmente Outro´* que se impõe em visitar-nos nesta semana memorável.

um breve momento de reflexão**, um abraço bem apertado na pessoa amada, ou uma disciplina maior que o leve a reviver experiências religiosas de raizes são algumas dicas.

Boa Páscoa a todos.
*Expressão utilizada por Rudolf Otto em "O Sagrado" para designar a existência de um ser superior a quem os cristãos chamam de Deus.

**O texto do Pastor Saulo em http://ipesperanca.blospot.com/ é uma sugestão.

18 de março de 2008

O MONGE E O EXECUTIVO (Leitura/Resumo)


O MONGE E O EXECUTIVO (Leitura/Resumo)

Terminei agora de fazer esta leitura que, desde o início, há uma semana atrás, foi muito instigante e motivadora. Confesso que este é um daqueles livros, cuja leitura é difícil de deixar pra depois. Resolvi, portanto compartilhar com os meus amigos e amigas alguns conceitos que, espero, os motivem também à leitura.

Como diz o sub-título, é uma história que o autor nos conta (e James Hunter é um bom contador de histórias) sobre uma pessoa em crise com a sua vida e sua carreira. John Daily, o protagonista e ao mesmo tempo narrador da história, é um executivo com sérios problemas profissional, familiar e pessoal, a ponto de o levarem a questionar sua própria razão de existir. Experimenta uns acontecimentos misteriosos do ponto de vista espiritual, que culminam com sua ida a um Retiro de uma semana, para 6 pessoas, aos pés de um frade instrutor, cujo nome adotado pela ordem a que pertence revela, com intensa perturbação, que algo muito misterioso e, ao mesmo tempo profundo e transformador estava para acontecer com John.

Este frade é/foi, na verdade, o brilhante palestrante e eficiente consultor de empresas Leonard Hoffman, que a certo ponto da carreira, após a morte de sua esposa, abandona tudo e vai morar neste mosteiro beneditino, onde torna-se monge.

O leitor acaba sendo um dos participantes do retiro e, tem a oportunidade de usufruir e interagir com os conceitos de liderança apresentados e produzidos pelos participantes.

De linguagem leve, divertida e claríssima, a obra pode lavar o leitor a estabelecer um novo conceito de liderança, e até mesmo de estilo de vida. É mesmo um livro transformador.

O estilo apresentado é o da “liderança construída sobre autoridade ou influência , que por sua vez são constituídas sobre serviço e sacrifício, que são construídos sobre o amor” (P. 95)

Fiquem, então, com alguns pequenos recortes que também guardarei pra mim, e me ajudarão em meu processo de transformação.

“o amor é o que amor faz”

“Liderança: É a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum”


“Poder: É a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa da sua força ou posição, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer”

“Autoridade: a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa da sua influência pessoal.”

“comportamento é escolha.”

“quando uso a palavra amor eu me refiro a um comportamento e não a um sentimento”

“a chave para a liderança é executar as tarefas enquanto se constroem os relacionamentos”

“Tudo na vida gira em torno dos relacionamentos”

“um líder é alguém que identifica e satisfaz as necessidades legítimas de seus liderados e remove todas as barreiras para que possam servir ao cliente. De novo, para liderar você deve servir.”

“A autoridade sempre se estabelece ao servir aos outros e sacrificar-se por eles.”

“precisamos uns dos outros... os arrogantes e orgulhosos fingem que não precisam... que piada! Um par de mãos me tirou do útero... outro trocou minhas fraudas, me alimentou, me nutriu, outro ainda me ensinou a ler e escrever. Agora, outros pares de mãos cultivam minha comida, entregam minha correspondência, coletam meu lixo, fornecem-me eletricidade... um par de mãos cuidará de mim quando eu ficar doente e velha, e me levará de volta à terra quando eu morrer.”

“Atrasar-se, também transmite a mensagem de que eu não devo ser muito importante pra pessoa, porque ela certamente seria pontual com alguém que ela achasse importante”.

“... sentimentos vêm e vão, e é o compromisso que nos sustenta”

“amar vinte homens durante um ano é fácil se comparado a amar um homem durante vinte anos”

Amor e Liderança

Paciência
Mostrar auto-controle
Bondade
Dar atenção, apreciação e incentivo
Humildade
Ser autêntico e sem pretensão ou arrogância
Respeito
Tratar os outros como pessoas importantes
Abnegação
Satisfazer as necessidades dos outros
Perdão
Desistir de ressentimento quando prejudicado
Honestidade
Ser livre de engano
Compromisso
Sustentar suas escolhas
Resultados:
Serviço e
Sacrifício
Pôr de lado suas vontades e necessiadades;
Buscar o maior bem para os outros

“Contas bancárias relacionais...”


“Não é meu trabalho pilotar o navio;
Nunca soprarei a corneta.
Não é meu lugar dizer até onde o navio irá.
Não tenho licença para ir ao convés
Ou mesmo tocar o sino.
Mas se esta coisa começar a afundar
Olhe quem vai para i inferno!”

“O homem é essencialmente autodeterminante. Ele se transforma no que fez de si mesmo...”

“os que seguem a multidão nunca serão seguidos por ela”

“... todas as grandes religiões do mundo ensinam a superar nossa natureza egoísta.”

“intenções menos ações é igual a nada”

“se nada muda, nada muda.”

“ a definição de insanidade é continuar a fazer o que você sempre fez, desejando obter resultados diferentes!”

“de nada vele aprender bem se você deixar de fazer bem!”

11 de março de 2008

DEUS CUIDA DE NÓS



Pois do Senhor é o Reino, é Ele quem governa as nações. Salmo 22.28
Precisamos sentir-nos seguros e confiantes. Tanto quando olharmos para o passado, seja com júbilo ou lágrimas, quando vislumbrarmos o futuro incerto. Além, é claro, em cada situação presente todos nós queremos que tudo esteja bem. Quando pensamos na providência divina é restaurado em nosso ser a segurança e a confiança. “As obras da providência de Deus são, à sua maneira, muito santa, sábia e poderosa para preservar e governar todas as suas criaturas e todas as ações delas”.

As datas festivas trazem memórias. Aniversários, casamentos, formaturas, etc. Somos tomados de nostalgia quando estamos diante de uma comemoração ou celebração especial. É assim também com a Páscoa, Natal, ou ano novo. Mas também a nação quer ser lembrada quando passamos por datas que marcaram sua história. Assim temos o dia disso ou o dia daquilo, o dia desse tal ou daquele outro . Em alguns desses dias é feriado nacional. Param-se todas atividades sob o mandato soberano da nação: lembrem-se!

Estamos atônitos e perplexos com as ocorrências dos últimos dias. Diante da violência desmedida e do clima de insegurança devemos parar. Este é, antes de tudo, um momento de lembrarmos da nação. Voltarmo-nos para os seus símbolos com o sentimento de confiança e esperança. Sobretudo os discípulos de Cristo devem participar deste momento. Isto porque não cremos em Deus alheio ou distante dos acontecimentos de nosso povo, quer seja no passado, presente ou futuro.

A nossa teologia diz: “A doutrina da providência ensina aos cristãos que eles nunca estão presos à sorte cega, à casualidade, ao acaso ou ao destino. Tudo o que lhes acontece é divinamente planejado, e cada acontecimento chega como um novo convite a confiar, a obedecer e a regozijar-se, sabendo que todas as coisas ocorrem para o seu bem espiritual e eterno (Rm8.28)”


Quando pensamos na história de nossa nação brasileira lembramos de um passado de muitas tristezas mas também de muitos triunfos, vivemos hoje um tempo difícil moral, social e politicamente, mas podemos esperar um futuro onde jaz a promessa de que Deus é não apenas o criador dele mas seu sustentador. Portanto estejamos seguros e confiantes naquele que ‘governa as nações’. Deus abençoe o Brasil. Deus abençoe São Paulo.
Rev. Marcelo Coelho

3 de março de 2008

CAFÉ COM GENTE




Cheguei à sala do cafezinho e a vi sem ninguém. Pensei: vou atrás de amigo para tomar comigo um café enquanto trocamos dois dedos de prosa. Não encontrei o amigo. Porém quando voltei, desolado, encontrei um colega que também chegara na sala. Conversamos, tomamos nosso café e cada um continuou suas atividades. Do que falamos? Não lembro.

Estou convencido de que o melhor acompanhamento para o famoso cafezinho é gente. Isso mesmo. Café com pessoas por perto. Que falta faz quando não temos ninguém por perto. Ainda que seja, e quase sempre o é, para falar de trivialidades. Amenidades. Há alguns que pensam ser isto, uma enorme perda de tempo. Todavia é necessário reconhecer que quando a vida fica muito séria e tudo o que fazemos resume-se a pesadas e criteriosas obrigações, estamos fadados ao estresse. Além do que, para pessoas assim, a vida em sua volta já perdeu todo o colorido e a leveza.

Qual é importância de um momento assim pra você? Tem gente que diz, de uma forma bastante defensiva: Não, obrigado, eu não bebo café. Ele também poderia dizer: não, obrigado, eu não perco tempo com gente falando à toa. Precisamos retomar o costume dos antigos que paravam onde se encontravam para trocar dois dedos de prosa. Nestas conversas, desinteressadas que são, conhecemos as pessoas mais próximas do que elas realmente são. Quem sabe dali não parte novos contatos, mais úteis e proveitosos (para os pragmáticos), ou então você saia dali extremamente satisfeito por ter dado ótimas risadas da última piada que ouviu. A propósito, na próxima piada que você ouvir, por favor, ria. Mesmo que a piada não tenha sido boa, ou que você já a tenha ouvido mil vezes. Faça isso apenas para não parecer chato e inadequado.

Que tal você começar hoje a valorizar estes encontros rápidos e desinteressados. Parar com tudo e relaxar ao lado de alguém que, assim como você, precisa de um tempinho para não pensar em nada e para não falar sério. Cultivemos momento assim, que certamente colheremos relacionamentos significativos e contatos que promoverão a alegria de pessoas, a glória de Deus e a expansão do seu Reino.

Com carinho e aguardando você para um cafezinho Pr. Marcelo

RICOS DE ESPERANÇA





E o Deus da esperança, vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo. Rm 15.13

Nem sempre a fartura de bens materiais é sinônimo de felicidade. Há pessoas que vivenciam enormes crises e vivem uma vida extremamente infeliz e mesmo assim são abastadas e esbanjam de seu dinheiro à vontade. Ouvi certa vez a frase cruel: “ele era tão pobre, mas tão pobre que só tinha dinheiro”.

Mas também não é a falta de bens materiais que garante ao homem a felicidade. A vida boa de ser vivida não está, necessariamente, atrelada à condição financeira que se tem.

Bem estar é algo que vem de dentro e não de fora. Não é questão de ter mas de ser. Não é da ordem do “meu” mas do “eu”.

Ser rico de esperança é, antes de tudo, ter o “eu” melhorado a cada dia. É ser alguém que, ao acordar, faz novamente a escolha de viver para o bem. Olha, primeiramente, para as possibilidades e em direção às partes preservadas da própria vida.

Parece-me, todavia, que alguém, não consiga fazer-se a si mesma uma pessoa rica de esperança. É necessário um convívio transformador. Viver uma relação intensa com alguém que já tenha ou seja rico de esperança. Há pessoas, que de tão inspiradoras e alegres, são assim. Espero que você seja uma delas e eu quero, por isso, estar bem pertinho de você.

Mas há ainda uma outra forma de chegar lá. É através da relação com Deus. Pois ele é o Deus da Esperança, Ele nos enche de alegria e paz quando cremos, ou entregamos a Ele nossa História de vida. Ele ainda nos dá o Espírito Santo, cujo poder transformador, pode fazer de qualquer pessoa, que viva uma vida triste e empobrecidamente infeliz, um ser rico de esperança.

Com Carinho, Pr. Marcelo

"Eu- eu Sou diferente! todo mundo me odeia e eu odeio todo mundo!"